26/08/2019

Morrinhos conquista Rating de Debêntures AAA(bra)

Perspectiva do rating do complexo eólico baiano é estável

Em sua segunda emissão de debêntures, o  Complexo Eólico Morrinhos teve seu Rating Nacional de Longo Prazo elevado para ‘AAA(bra)’, de ‘AA+(bra)’ (AA mais (bra)). A perspectiva do rating é estável, como comprova o desempenho financeiro do projeto, que está acima dos cenários estimados pela Fitch Ratings. Ao total, o montante da emissão é de BRL102,5 milhões, com vencimento em 2027.

A performance operacional dos últimos 41 meses, quando o terceiro maior empreendimento da Atlantic gerou energia em linha com o previsto no cenário-base (99%), acima do cenário de rating da agência (112%), é um dos fatores para a elevação do rating. Disponibilidade de equipamentos acima do esperado e custos de operação e manutenção abaixo dos cenários da Fitch também contribuíram para esse resultado. 

Para projetos de energias renováveis, os índices de cobertura do serviço da dívida mínimo e médio no cenário de rating da Fitch são de 1,19 vez e 1,47 vez, respectivamente, condizentes aos ratings ‘AAA(bra)’. Como aponta a agência de classificação de risco de crédito, o índice de cobertura mínimo ocorre no ano de ressarcimento quadrienal, 2024, e é mitigado pela existência de conta reserva e conta reserva especial. 

Estudo de ventos satisfatório, corroborado pela geração de energia histórica dos últimos três anos, é um dos fundamentos principais do ranting, assim como os contratos de compra e venda de energia (Power Purchase Agreements – PPAs) de Leilões de Energia Nova (LEN), que liquidam eventuais déficits de geração de energia ao preço de liquidação de diferenças (PLD), de acordo com agência. 

“As debêntures são seniores, pari-passu com o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e se beneficiam de conta reserva equivalente à parcela de serviço da dívida vincenda, além de uma conta reserva adicional baseada no saldo da conta de energia”, como destaca a Fitch Ratings. Com isso, a debêntures estão expostas a descasamento entre a inflação e a taxa de juros de longo prazo (TJLP). 

 

Vantagens competitivas do Brasil 

Em relação aos empreendimentos eólicos instalados mundo afora, a  Fitch Ratings aponta as vantagens competitivas dos brasileiros. A elevada média de 42% do fator de capacidade das plantas locais – atingindo até 60% no Nordeste -, contra uma média mundial de 30%, é a principal delas.

Mesmo com esse cenário favorável, a agência de classificação de risco vê problemas técnicos nas estimativas de produção de eletricidade por parte das unidades geradoras nacionais. O motivo são as falhas se refletem em grandes diferenças entre as estimativas P-50 e P-90 dos projetos (entre as estimativas de produção anual de energia a partir de probabilidades de ocorrência igual ou maior que 50% e que 90% do tempo). 

Como solução, a Fitch aplica descontos (haircut) mais severos nas estimativas de produção dos projetos analisados, quando comparados a outros com menor incerteza.

Os projetos eólicos do país não devem enfrentar pressões de liquidez, segundo a agência. Isso porque, como mostra relatório divulgado pela Fitch, em 20 de agosto, “contratos de comercialização de energia elétrica assinados até dezembro de 2017 possuem mecanismos de compensação anuais e quadrienais que ajudam a mitigar o déficit de geração de energia em um ano específico”. 

Como resultado, as projeções de geração eólica no Brasil irão melhorar na velocidade do crescimento do setor.