08/03/2017

O impacto positivo das inovações no avanço da energia eólica no Brasil

Em artigo publicado no Canal Energia, o COO da Atlantic Energias Renováveis, Gabriel Luaces, fala que o Brasil é o nono do mundo no quesito capacidade instalada, e alta tecnologia é fator de destaque nos parques nacionais

A energia eólica será responsável por 20% da eletricidade mundial até 2030, segundo o Global Wind Statistics 2016 – relatório do conselho global de energia eólica (Global Wind Energy Council – GWEC). Neste mesmo levantamento, o Brasil aparece como o nono país do mundo com maior capacidade instalada de energia eólica, uma posição à frente em relação ao relatório anterior.

Assim como ocorre em todas as áreas, o fator primordial para o avanço brasileiro é, além do investimento no setor, o incremento tecnológico visto nos parques eólicos. Por exemplo, no Complexo Eólico Santa Vitória do Palmar, o maior da Atlantic Energias Renováveis, vários conceitos inovadores foram implementados ao longo do projeto.

O resultado final será a operação total ainda em 2017 dos 12 parques eólicos do Complexo, que, juntos, somam 207 MW de potência instalada. É uma quantidade suficiente para abastecer cerca de 400 mil residências, o equivalente a 38 cidades com consumo igual ao do município de Santa Vitória do Palmar. Listei algumas das novidades e das boas práticas usadas no projeto, que vai ajudar o Brasil a aumentar sua produção e subir ainda mais nos próximos rankings.

Ainda na fase inicial, um estudo exclusivo da sondagem geotécnica identificou as características do terreno, o que proporcionou a utilização da técnica da fundação direta, sem uso de estacas. A solução tem como vantagens o custo mais baixo e o menor tempo de execução.

Para otimizar o aumento de economia, foi instalada uma fábrica de torres de concreto dentro do canteiro de obras, o que garantiu agilidade na tomada de decisões, fiscalização integral e redução de custo com logística e transporte. Optamos por usar torres de concreto, mais econômico do que o aço, sem perder a eficiência.

As torres, aliás, foram um capítulo à parte: são simplesmente os maiores aerogeradores que estão sendo fabricados na atualidades no Brasil, com 120 metros de altura e pás com diâmetro de 125 metros, resultando em uma potência instalada de 3 MW em cada uma das 69 torres.

Somado à fundação direta, o setor de químicos para construção teve papel relevante na implantação das torres. Aditivos de concreto garantiram a fixação com a instalação de uma base de concreto armada no solo, o que reduz o consumo de água e gera outras vantagens, como facilitar o manuseio do concreto e o bombeamento, mesmo sob influência de altíssimas temperaturas – outros produtos ainda contribuíram com grandes resistências iniciais e finais.

O Complexo contou ainda com a instalação do transformador 275 MVA 500 kV, da WEG, que conectou o Complexo a 525kV de nível de tensão. O equipamento é um dos maiores já fabricados pela empresa e possui 16,5 metros de comprimento, 6,8 metros de largura e 10,3 metros de altura, além de pesar cerca de 308 toneladas.

Além das inovações tecnológicas, o modelo de gestão e a sustentabilidade foram destaques importantes no empreendimento, que teve investimento de 1,2 bilhão de reais em uma área de 15 mil hectares, nos quais foram construídos 68 km de acessos, 3  subestações e 21 km de linhas de transmissão.

Para o bom andamento de todo o processo, foi fundamental o gerenciamento de projeto baseado na transparência, com as informações sempre compartilhadas entre colaboradores e diretores da companhia, fornecedores e acionistas. Todos seguindo as premissas do modelo ESG de governança, que agora nos coloca o desafio de inovar também nas operações de um gerador para otimizar as receitas.

Ainda nesse quesito, foram marcantes duas atividades. A primeira foi a semente de sustentabilidade plantada pela Atlantic, quando, ainda na fase embrionária do projeto, promovemos a coleta de 296 quilos de material reciclável na orla marítima do Balneário de Hermenegildo, com a participação de voluntários da Atlantic Energias Renováveis, da Redram Construtora de Obras e da consultoria Napeia. Outro marco foi a Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho, que contou com participação de 360 funcionários da Atlantic e de empresas subcontratadas.

A inovação deve estar também em outros aspectos como na sustentabilidade. Três Parques da Atlantic acabam de conquistar a Certificação de Energia Renovável, que deixa claro o compromisso da empresa com as práticas sustentáveis do mercado e nos qualifica como empreendimento que utiliza fontes renováveis e tecnologia de ponta com alto desempenho ambiental, social e econômico.